terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A vida secreta das abelhas


Quando recebi dos amigos da Ediouro o livro A vida secreta das abelhas (Sue Monk Kidd, 2004) tive uma forte sensação de deja vu. A capa me pareceu um tanto apelativa: além do destaque para os mais de dois milhões de cópias vendidas, um invólucro em couchê informa que o livro deu origem a um filme homônimo, apresentando as imagens dos personagens cinematográficos (Queen Latifa se destaca).
Pensei em Beloved (Jonathan Demme, 1998), filme inspirado no romance homônimo da escritora Toni Morrison (Prêmio Nobel de Literatura, 1993) e revivi o impacto das cenas traumáticas dos tempos finais da escravatura dos negros nos EUA, sobretudo a belíssima sequência do corpo de Beloved envolvido pelas abelhas e, depois, na sua postura exangue, amparada pelo velho tronco ressequido em frente da casa de Sethe (Oprah Winfrey). Foi o bastante para começar a ler.
Logo a linguagem fluida e dinâmica me cativou, assim como o universo de Lily, uma adolescente branca prestes a desabrochar no início dos anos 60, sentindo-se extremamente culpada pela morte da mãe. A sua ama seca negra é a única pessoa que lhe restou, já que o seu pai é bruto e infeliz. Juntas, elas fogem e parecem se aventurar em busca de destinos opostos, porém intimamente traçados pelo encontro com as produtoras do mel Madona Negra, cuja solidariedade e espiritualidade libertam medos e culpas, fazendo com que o leitor reencontre a sua doçura.
Compreendi a beleza deste novo deja vu. Um livro que me lembrou um filme, que se tornou um filme e que me fez reencontrar Ciene, madona negra da infância, abelha rainha dos anjos de Deus.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Aderimos ao movimento Bookcrossing!


O BookCrossing.com foi criado por Ron Hornbaker em março de 2001, enquanto ele e sua esposa Kaori admiravam o site PhotoTag.org, que rastreia de câmeras descartáveis perdidas no mundo. Ele já sabia da popularidade do WheresGeorge.com (que rastreia dinheiro em circulação nos EUA pelo número serial) e isso o fez pensar: que outro objeto físico as pessoas gostariam de rastrear? Alguns minutos depois, ao olhar para sua própria estante de livros, ocorreu a idéia de rastrear livros. Ron percebeu que até aquele momento nada como o BookCrossing havia sido feito em uma escala significativa, e então decidiu o nome (não havia nenhuma ocorrência para “bookcrossing” no Google), registrou o domínio e Kaori rascunhou o logo do livro correndo em uma placa de trânsito. O resto foi mera execução.

No Brasil, o movimento vem se expandindo consideravelmente. A ideia é muito simples: registre um livro no site da BookCrossing (http://www.bookcrossing.com/) e o liberte (existem zonas próprias para isso e a Livro.com é uma delas!). Quem resgata o livro escreve sobre ele no site da BookCrossing e o liberta novamente. Temos aqui um livro livre: Deixando de Existir, de Goulart Gomes. Venha libertá-lo!