quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Meu pai subiu no telhado, por Gil Vicente

Meu pai subiu no telhado. Sim, isso é uma paródia da famosa piada de português, povo que ele amava e que publicou seu último livro em vida. E parodio a piada porque a coisa que meu pai mais gostava no mundo era fazer piada e sei que ele riria muito (deve estar rindo, talvez) de um artigo sobre seu falecimento iniciado assim.

Meu pai subiu num telhado, mas num telhado bem alto de um palácio, de um zigurate, de uma sinagoga, de um barracão. Ele subiu em todos esses telhados e tantos outros da vasta cultura de um homem especial, talvez o único próximo a mim cujo título de gênio coubesse como a nenhum outro.

Ildásio Tavares nunca esteve nos holofotes como alguns de sua geração. Mas iluminou a cultura brasileira. Se eu fosse desfilar o currículo de meu pai, precisaria escrever uns dez artigos. Livros, jornais, revistas, TV e google dão conta do recado. Entrementes, falar um pouco do quanto meu pai iluminou minha vida talvez seja uma metonímia do homem que ele tentou ser e em muitos momentos foi pro mundo.

Desde pequeno, bastava eu aparecer entusiasmado com alguma música, algum escritor, que ele logo me mostrava os defeitos. Foi um crítico feroz de todas as obras, a começar pela minha e, principalmente, pela dele. Como todo grande intelectual, via os defeitos e rachaduras, as falhas e fraquezas que o senso comum aplaudia e ignorava. E sofreu muito por isso. A grandeza oprime e a verdade dói. E era um grande que defendia verdades. Nem sempre as verdades, mas as suas verdades, e era muito íntegro com elas.

Dificilmente temos o que merecemos. Muitos são louvados em demasia, outros sofrem pela escassez de reconhecimento. Mas meu pai foi um lutador e um vencedor porque, a despeito da mediocridade opressora que tentava lhe anular, ele conseguiu galgar degraus que, se não o levaram ao merecido altar de gênio que era, ao menos lhe trouxeram momentos de alegria, como ao desfilar homenageado pela Nenê da Vila Matilde, em São Paulo, ou na comemoração de seus 70 anos, com momentos lindos como o de Gerônimo e Vevé cantando É d’Oxum em francês, na versão dele, ou o belo discurso de Jorge Portugal na entrega da Medalha Zumbi dos Palmares, etc, etc...

Tive o prazer de cochilar a manhã inteira no colégio depois de virar a noite vendo meu pai compor com Baden Powell. Tive a honra de, já exaurido, ter um poema em redondilha todo refeito ao lado dele quando eu tinha 7 anos de idade. Aprendi a fazer poesia, a reconhecer a beleza de muita coisa no mundo graças a meu pai. E o que levamos da vida é a beleza das coisas, a poesia dos momentos, das palavras, das cores e melodias.

Meu pai subiu num telhado, mas diferentemente da piada, ele não morreu. Ele está ali, em cima do telhado, olhando pra mim e pro mundo com olhos críticos. Eu sei que ele está lá olhando e pensando o quanto o mundo perdeu ao não reconhecer sua poesia e seu pensamento, e, nós poucos, de cá, pensando o quanto parte do mundo e eu ganhamos ao reconhecer sua poesia e seu pensamento.

Alguns poucos olharão pro telhado, em busca de meu pai. Ele vai estar lá, como todo mestre. Pois um mestre só se torna mestre mesmo quando o que ele pode oferecer deixa de ser ele e passa a ser a gente. E meu pai está mais em mim do que em qualquer outro momento esteve.

Agora é o momento de começar a aprender quem eu sou. Aos poucos, por toda vida. Tentando buscar em mim a poesia e sabedoria do pai e do mestre. A tristeza aparece no momento em que não olhamos as coisas belas.

E não tem nada mais lindo, agora, do que ver meu pai de cima do telhado, olhando pra mim e torcendo pra eu seja um grande homem. Para que eu não deixe que a pobreza do mundo invada nossa alma.

Foi isso que ele me ensinou. E será isso que eu tentarei fazer minha vida inteira, porque agora a responsabilidade aumentou; meu pai subiu no telhado e estará de lá, olhando pra mim, e dizendo; “agora é com você. Já fiz minha parte e fiz muito bem”.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

E-book ainda é desconhecido no Brasil e não ameaça livro tradicional, diz pesquisa

Um dos temas da 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o livro digital ainda é desconhecido por grande parte da população brasileira. A constatação é resultado de uma pesquisa realizada pela GfK. De acordo com a sondagem, 67% dos entrevistados não conhecem o e-book. Já a intenção de compra da ferramenta de leitura eletrônica é grande. Mais da metade dos entrevistados que conhecem o e-book, 56%, pretende adquiri-lo se o preço for acessível. E a maior parte dos participantes da pesquisa, 71%, não acredita que sua chegada ao mercado seja uma ameaça ao livro tradicional.
O estudo, realizado em maio deste ano com mil pessoas a partir dos 18 anos, em 12 regiões metropolitanas, revela que os consultados das classes C e D (76%), os habitantes do nordeste do País (74%), as mulheres (72%) e os com idades entre os 45 e 55 anos (72%) são os que mais ignoram a existência do e-book.
Sempre mais familiarizados com tecnologia, os jovens, entre 18 e 24 anos, são maioria em grau de conhecimento, com 36% das citações. Também afirmam conhecer ou ter ouvido falar do livro digital os entrevistados das regiões Norte e Centro-Oeste, 41%.
A crença na sobrevivência do livro impresso é maior para aqueles dos 25 aos 34 anos, com 81%. Os consultados da região Sul também confiam na permanência do formato tradicional de leitura, 78%, assim como os das classes A e B, 74%.
Entre os que preveem o fim do livro tradicional são maioria os entrevistados com mais de 56 anos (40%) e com idades entre os 45 e 55 (30%).
A intenção de compra do livro eletrônico é praticamente igual entre homens e mulheres, com 56% e 55% respectivamente, e é grande também para os entrevistados entre 25 e 34 anos, 67%.
A região Nordeste é a mais receptiva à compra do e-book (70%), diferente da região Sul, que aparece na pesquisa como a menos propensa à aquisição da ferramenta de leitura eletrônica (61%). Já a análise socioeconômica mostra que as classes C e D têm intenção de compra superior a das classes A e B, com 58% contra 54%.
A ferramenta é desejo distante para aqueles com mais de 56 anos, 68%, e com idades entre os 45 e 55 anos, 51%

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Aberto o III Prêmio Literário Canon de Poesia

A Canon, empresa japonesa especializada no desenvolvimento de tecnologias de gerenciamento de documentos e de imagem, promove o "III Prêmio Literário Canon de Poesia", em parceria com a Fábrica de Livros e a Editora Scortecci. O concurso será lançado amanhã (13), no estande da Scortecci, na Bienal do Livro. O objetivo é revelar talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no país. Neste ano, o tema é livre. Uma comissão julgadora elegerá os 50 melhores textos, que serão reunidos e publicados em livro. Cada vendedor receberá dez exemplares da obra e contará ainda com a divulgação e promoção da antologia pela Canon em suas ações de Marketing e Propaganda no período de um ano. Podem participar autores brasileiros, maiores de 16 anos e residentes no Brasil. As inscrições se encerram em 30/9 e podem ser feitas no site http://www.concursosliterarios.com.br/. Informações no email premiocanon2010@concursosliterarios.com.br. Os vencedores serão definidos no mês de outubro, com impressão da antologia prevista para novembro e lançamento em dezembro de 2010.

domingo, 15 de agosto de 2010

Livro Brasil-Haiti vai ajudar vítimas das tragédias no Haiti, Rio de Janeiro, Pernambuco e Alagoas

No começo de 2010, quando um terremoto tirou a vida de milhares de pessoas e deixou um número ainda maior de desabrigados no Haiti, o inglês Greg McQueen fez um apelo na internet: queria reunir 100 histórias, não necessariamente sobre as tragédias, e publicá-las em um livro. A receita líquida seria destinada a organizações envolvidas na ajuda humanitária do país. A partir daí, nasceu o livro 100 Stories for Haiti.

A notícia chegou ao Brasil e um grupo decidiu ajudar também. Enquanto corriam atrás de voluntários, o país passou por alguns momentos delicados. O projeto por fim cresceu para contemplar também as vítimas das enchentes do Rio de Janeiro, Pernambuco e Alagoas. A Garimpo Editorial tomou a frente da produção frente e lança hoje (13), às 18h, na Bienal do Livro, a versão brasileira intitulada Brasil-Haiti ?101 histórias. Uma esperança (256 pp., R$ 25). Nela, cerca de 30 histórias foram escritas por autores nacionais, substituindo parte dos contos originais. E foi adicionada uma história extra, em quadrinhos, feita por João Montanaro.

Assinam os textos Moacyr Scliar, Menalton Braff, Simone Magno, Lúcia Bettencourt, Marcelo Moutinho, Fernando Alves, Valéria Martins, Henrique Rodrigues, Galeno Amorim, Felipe Pena e muito outros. Confira a lista completa dos autores e veja quem foram os tradutores, revisores e outros voluntários do projeto no “Leia Mais”.

Diferente da versão americana, Brasil-Haiti conta com um prefácio-depoimento do executivo do mercado financeiro Carlos Nomoto, que viajou ao Haiti para ajudar a cidade de Porto Príncipe. A receita líquida deste livro, que também contou com o trabalho voluntário de tradutores, preparadores, revisores e produtores, será encaminhada aos projetos de auxílio nos dois países por intermédio da Visão Mundial. Vale ressaltar que o objetivo não é só uma ajuda emergencial, mas duradoura, para auxiliar na reconstrução do Haiti e das cidades brasileiras.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Preço do livro cai e faturamento das editoras estaciona

No ano de 2009 o mercado editorial brasileiro aumentou suas tiragens, barateou o preço dos livros e não faturou muito mais do que em 2008. Neste período, foram colocados no mercado 386,3 milhões de exemplares, 13,55% a mais em relação ao ano anterior. Em número de títulos lançados, o aumento foi pequeno, de 2,7%. No total, saíram das editoras 52.509 títulos (30 mil reedições). O faturamento do setor ficou em R$ 3,376 milhões. No ano anterior, foram R$ 3,305 milhões, demonstrando uma melhora tímida de 2,13%.

Mas quem ganhou mesmo foi o consumidor, que pagou menos pelo livro. O preço médio foi calculado em R$ 11,11. Aliás, esse valor está em queda desde 2004, quando o livro custava em média R$ 12,68. Para Sônia Jardim, presidente do Snel, o livro se beneficia da economia em escala. O aumento das tiragens médias e a desoneração deixam o livro mais em conta.

Essas informações são da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro em 2009, realizada pela Fipe com 693 editoras por encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), e apresentada nesta terça-feira (10), em São Paulo. Veja a apresentação.

Ela mostrou ainda que as áreas de Didáticos e CTP tiveram o mesmo crescimento em títulos editados, de 9,07%. Em pior situação estão Obras Gerais, em queda de 7,34%, e religiosos, que lançou 7,14% a menos de livros em 2009. Quando o assunto é exemplar produzido, todos estão em alta e o segmento CTP volta para a lanterna.

Ao longo do ano passado, o mercado vendeu efetivamente 370,9 milhões de exemplares para livrarias, distribuidores, venda porta a porta etc., um aumento de 11,3% ante 2008 (333,3 milhões). Caiu a participação das livrarias (45% em 2008 e 42% em 2009) e das distribuidoras (25% em 2008 e 23% em 2009) na venda de livros, mas em compensação, vendas porta-a-porta, em supermercados e em igrejas e templos aumentaram. O porta-a-porta já é responsável por 16,64% das vendas, o que mostra, também, a entrada da classe C no mercado literário.

A pesquisa apontou que o número de obras traduzidas caiu de 6.626 em 2008 para 5.807 em 2009 (-12,36%). Livros em espanhol tiveram o pior desempenho (-42%). Em compensação, houve um aumento de 4,94% na edição de obras de autores brasileiros. Em 2008 foram editados 44.503 títulos e no ano passado, 46.703.

Livros para a educação básica são lançados em maior quantidade (47%). Na sequência vem literatura geral (infantil, juvenil e adulta), com 20%, seguida de religiosos (11,05%) e autoajuda (3,32%). Livros de informática, arquitetura e agropecuária estão em baixa. Cada um dos temas representa 0,01% do que é produzido.

O governo comprou menos em 2009, mas isso tem a ver com a forma com a que se programa para comprar os livros para as diversas séries. No ano passado, priorizou obras para o ensino fundamental, que são mais baratas. Em termos de faturamento, 2008 fechou com R$ 3,305 bi (desses, R$ 2,4 bi vieram do mercado e R$ 869 mi do governo). Neste ano, foram R$ 3,376 bi (R$ 2,5 bi do mercado e R$ 834 mi do governo). Em relação a exemplares vendidos, o governo comprou mais em 2009 (foram 142 mi contra 121 mi em 2008).

Para Rosely Boschini, presidente da CBL, o crescimento do setor reflete o bom momento da economia e o esforço das editoras. Ela comentou que o setor infantil cresce todos os anos, mas disse estar feliz em ver que o CTP se destacou em 2009. “Isso mostra que jovens e crianças estão lendo mais”. O único problema, disse, é que o governo não compra livros desse segmento, o que pode favorecer a pirataria entre os universitários. Mas o crescimento, acredita, se deve ao boom dos cursos universitários no país.

Ainda segundo a presidente da CBL, políticas públicas constantes na área de leitura são fundamentais para manter o crescimento do número de leitores. Eventos voltados para tal e o acesso maior aos livros são os caminhos para uma sociedade mais letrada, disse.

Sônia Jardim também comentou sobre o mercado infantil. “Estamos com 15% do mercado infanto-juvenil e isso mostra futuros leitores, mas desde que o hábito tenha continuidade”. O futuro do livro, comentou, depende de você ter desenvolvido o hábito da leitura.

Leda Maria Paulani, coordenadora da pesquisa, prevê a volta do crescimento do mercado. “Tenho o impressão de que agora, passada a crise, o mercado vai recuperar o passo e deve voltar à taxa de 6% de crescimento”.

Ainda neste semestre deve ser feito o censo do livro para registrar o tamanho do mercado e estimar o novo universo da pesquisa.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

4º Edital Votorantim de Seleção Pública de Projetos de Democratização Cultural

Em parceria com o blog Acesso, o Instituto Votorantim realiza o seu processo de seleção de projetos culturais para patrocínio em 2011.

A 4ª edição do edital de seleção pública terá início no dia 3 de agosto de 2010 e investirá R$ 3 milhões em projetos de todas as áreas culturais – artes visuais, artes cênicas, cinema e vídeo, literatura, música e patrimônio – desde que estejam comprometidos em ampliar e qualificar o acesso de jovens, entre 15 e 29 anos, a bens culturais.

Poderão se inscrever artistas, grupos, produtores e instituições de todas as regiões do país que tenham projetos de até R$ 500 mil com atividades previstas para serem realizadas de janeiro a dezembro de 2011.

A novidade dessa seleção é a categoria especial “Acessibilidade”, que reservará até R$ 1 milhão para projetos com estratégias de inclusão e formação cultural para jovens com deficiência ou mobilidade reduzida. Leia no regulamento do Edital como participar dessa categoria.

Os projetos inscritos serão analisados por uma comissão técnica formada por especialistas da área cultural, que avaliarão o impacto e o benefício do projeto ao público jovem. No processo seletivo serão considerados aspectos como diversidade de porte de projetos e regiões beneficiadas, qualificação dos conteúdos, planejamento, potencial de visibilidade e outros critérios detalhados no regulamento. A decisão final fica a cargo do Conselho do Instituto Votorantim, que examinarão os projetos pré-selecionados pelos especialistas.

A inscrição de projetos é gratuita e poderá ser realizada de 3 de agosto a 1 7 de setembro de 2010,até às 18h00.

Os projetos aprovados precisarão apresentar o número de registro no Pronac (Programa Nacional de Apoio à Cultura) e os dados bancários da conta depósito (aberta pelo Ministério da Cultura) até o dia 16 de dezembro.

O resultado do processo de seleção será anunciado até o dia 11 de novembro deste ano, pelo blog Acesso e pelo site do Instituto Votorantim.http://www.institutovotorantim.org.br/pt-br/Paginas/home.aspx

sábado, 7 de agosto de 2010

Edital Cultural dos Correios com inscrições abertas

Está aberto desde segunda-feira (26/07) o prazo de inscrições para o edital 2010 de patrocínio da área cultural do Correios. Ele contempla projetos nas áreas de Artes Cênicas (Dança e Teatro), Artes Integradas, Humanidades (obra literária, evento literário e programa de incentivo à leitura), Audiovisual e Música para serem realizados entre março de 2011 e agosto de 2012.

O orçamento para este edital é de R$ 5,480 milhões e os projetos deverão ser montados em um dos Centros Culturais da instituição (Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Ceará e Minas Gerais). Especificamente para a área de Dança, o valor total destinado é R$ 720 mil, que serão divididos entre espetáculos já produzidos (até R$ 80 mil) e produção/montagem, apresentação e mostras e festivais (até R$ 120 mil).

O processo de inscrição é dividido em etapas: preenchimento do formulário no site do Correios e posterior envio (por Sedex) de uma via impressa desse formulário acompanhado de projeto e de orçamento (tudo assinado) para o seguinte endereço:
Departamento de Comunicação Estratégica
Comissão de Patrocínio
SBN – Quadra 1 – Bloco A – 20º andar
70002-900 – Brasília/DF

As inscrições podem ser feitas até 31 de agosto. A seleção será feita por uma comissão especial e o resultado sairá até 13 de dezembro.
Informações no site www.correios.com.br