segunda-feira, 23 de agosto de 2010

E-book ainda é desconhecido no Brasil e não ameaça livro tradicional, diz pesquisa

Um dos temas da 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o livro digital ainda é desconhecido por grande parte da população brasileira. A constatação é resultado de uma pesquisa realizada pela GfK. De acordo com a sondagem, 67% dos entrevistados não conhecem o e-book. Já a intenção de compra da ferramenta de leitura eletrônica é grande. Mais da metade dos entrevistados que conhecem o e-book, 56%, pretende adquiri-lo se o preço for acessível. E a maior parte dos participantes da pesquisa, 71%, não acredita que sua chegada ao mercado seja uma ameaça ao livro tradicional.
O estudo, realizado em maio deste ano com mil pessoas a partir dos 18 anos, em 12 regiões metropolitanas, revela que os consultados das classes C e D (76%), os habitantes do nordeste do País (74%), as mulheres (72%) e os com idades entre os 45 e 55 anos (72%) são os que mais ignoram a existência do e-book.
Sempre mais familiarizados com tecnologia, os jovens, entre 18 e 24 anos, são maioria em grau de conhecimento, com 36% das citações. Também afirmam conhecer ou ter ouvido falar do livro digital os entrevistados das regiões Norte e Centro-Oeste, 41%.
A crença na sobrevivência do livro impresso é maior para aqueles dos 25 aos 34 anos, com 81%. Os consultados da região Sul também confiam na permanência do formato tradicional de leitura, 78%, assim como os das classes A e B, 74%.
Entre os que preveem o fim do livro tradicional são maioria os entrevistados com mais de 56 anos (40%) e com idades entre os 45 e 55 (30%).
A intenção de compra do livro eletrônico é praticamente igual entre homens e mulheres, com 56% e 55% respectivamente, e é grande também para os entrevistados entre 25 e 34 anos, 67%.
A região Nordeste é a mais receptiva à compra do e-book (70%), diferente da região Sul, que aparece na pesquisa como a menos propensa à aquisição da ferramenta de leitura eletrônica (61%). Já a análise socioeconômica mostra que as classes C e D têm intenção de compra superior a das classes A e B, com 58% contra 54%.
A ferramenta é desejo distante para aqueles com mais de 56 anos, 68%, e com idades entre os 45 e 55 anos, 51%

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Aberto o III Prêmio Literário Canon de Poesia

A Canon, empresa japonesa especializada no desenvolvimento de tecnologias de gerenciamento de documentos e de imagem, promove o "III Prêmio Literário Canon de Poesia", em parceria com a Fábrica de Livros e a Editora Scortecci. O concurso será lançado amanhã (13), no estande da Scortecci, na Bienal do Livro. O objetivo é revelar talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no país. Neste ano, o tema é livre. Uma comissão julgadora elegerá os 50 melhores textos, que serão reunidos e publicados em livro. Cada vendedor receberá dez exemplares da obra e contará ainda com a divulgação e promoção da antologia pela Canon em suas ações de Marketing e Propaganda no período de um ano. Podem participar autores brasileiros, maiores de 16 anos e residentes no Brasil. As inscrições se encerram em 30/9 e podem ser feitas no site http://www.concursosliterarios.com.br/. Informações no email premiocanon2010@concursosliterarios.com.br. Os vencedores serão definidos no mês de outubro, com impressão da antologia prevista para novembro e lançamento em dezembro de 2010.

domingo, 15 de agosto de 2010

Livro Brasil-Haiti vai ajudar vítimas das tragédias no Haiti, Rio de Janeiro, Pernambuco e Alagoas

No começo de 2010, quando um terremoto tirou a vida de milhares de pessoas e deixou um número ainda maior de desabrigados no Haiti, o inglês Greg McQueen fez um apelo na internet: queria reunir 100 histórias, não necessariamente sobre as tragédias, e publicá-las em um livro. A receita líquida seria destinada a organizações envolvidas na ajuda humanitária do país. A partir daí, nasceu o livro 100 Stories for Haiti.

A notícia chegou ao Brasil e um grupo decidiu ajudar também. Enquanto corriam atrás de voluntários, o país passou por alguns momentos delicados. O projeto por fim cresceu para contemplar também as vítimas das enchentes do Rio de Janeiro, Pernambuco e Alagoas. A Garimpo Editorial tomou a frente da produção frente e lança hoje (13), às 18h, na Bienal do Livro, a versão brasileira intitulada Brasil-Haiti ?101 histórias. Uma esperança (256 pp., R$ 25). Nela, cerca de 30 histórias foram escritas por autores nacionais, substituindo parte dos contos originais. E foi adicionada uma história extra, em quadrinhos, feita por João Montanaro.

Assinam os textos Moacyr Scliar, Menalton Braff, Simone Magno, Lúcia Bettencourt, Marcelo Moutinho, Fernando Alves, Valéria Martins, Henrique Rodrigues, Galeno Amorim, Felipe Pena e muito outros. Confira a lista completa dos autores e veja quem foram os tradutores, revisores e outros voluntários do projeto no “Leia Mais”.

Diferente da versão americana, Brasil-Haiti conta com um prefácio-depoimento do executivo do mercado financeiro Carlos Nomoto, que viajou ao Haiti para ajudar a cidade de Porto Príncipe. A receita líquida deste livro, que também contou com o trabalho voluntário de tradutores, preparadores, revisores e produtores, será encaminhada aos projetos de auxílio nos dois países por intermédio da Visão Mundial. Vale ressaltar que o objetivo não é só uma ajuda emergencial, mas duradoura, para auxiliar na reconstrução do Haiti e das cidades brasileiras.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Preço do livro cai e faturamento das editoras estaciona

No ano de 2009 o mercado editorial brasileiro aumentou suas tiragens, barateou o preço dos livros e não faturou muito mais do que em 2008. Neste período, foram colocados no mercado 386,3 milhões de exemplares, 13,55% a mais em relação ao ano anterior. Em número de títulos lançados, o aumento foi pequeno, de 2,7%. No total, saíram das editoras 52.509 títulos (30 mil reedições). O faturamento do setor ficou em R$ 3,376 milhões. No ano anterior, foram R$ 3,305 milhões, demonstrando uma melhora tímida de 2,13%.

Mas quem ganhou mesmo foi o consumidor, que pagou menos pelo livro. O preço médio foi calculado em R$ 11,11. Aliás, esse valor está em queda desde 2004, quando o livro custava em média R$ 12,68. Para Sônia Jardim, presidente do Snel, o livro se beneficia da economia em escala. O aumento das tiragens médias e a desoneração deixam o livro mais em conta.

Essas informações são da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro em 2009, realizada pela Fipe com 693 editoras por encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), e apresentada nesta terça-feira (10), em São Paulo. Veja a apresentação.

Ela mostrou ainda que as áreas de Didáticos e CTP tiveram o mesmo crescimento em títulos editados, de 9,07%. Em pior situação estão Obras Gerais, em queda de 7,34%, e religiosos, que lançou 7,14% a menos de livros em 2009. Quando o assunto é exemplar produzido, todos estão em alta e o segmento CTP volta para a lanterna.

Ao longo do ano passado, o mercado vendeu efetivamente 370,9 milhões de exemplares para livrarias, distribuidores, venda porta a porta etc., um aumento de 11,3% ante 2008 (333,3 milhões). Caiu a participação das livrarias (45% em 2008 e 42% em 2009) e das distribuidoras (25% em 2008 e 23% em 2009) na venda de livros, mas em compensação, vendas porta-a-porta, em supermercados e em igrejas e templos aumentaram. O porta-a-porta já é responsável por 16,64% das vendas, o que mostra, também, a entrada da classe C no mercado literário.

A pesquisa apontou que o número de obras traduzidas caiu de 6.626 em 2008 para 5.807 em 2009 (-12,36%). Livros em espanhol tiveram o pior desempenho (-42%). Em compensação, houve um aumento de 4,94% na edição de obras de autores brasileiros. Em 2008 foram editados 44.503 títulos e no ano passado, 46.703.

Livros para a educação básica são lançados em maior quantidade (47%). Na sequência vem literatura geral (infantil, juvenil e adulta), com 20%, seguida de religiosos (11,05%) e autoajuda (3,32%). Livros de informática, arquitetura e agropecuária estão em baixa. Cada um dos temas representa 0,01% do que é produzido.

O governo comprou menos em 2009, mas isso tem a ver com a forma com a que se programa para comprar os livros para as diversas séries. No ano passado, priorizou obras para o ensino fundamental, que são mais baratas. Em termos de faturamento, 2008 fechou com R$ 3,305 bi (desses, R$ 2,4 bi vieram do mercado e R$ 869 mi do governo). Neste ano, foram R$ 3,376 bi (R$ 2,5 bi do mercado e R$ 834 mi do governo). Em relação a exemplares vendidos, o governo comprou mais em 2009 (foram 142 mi contra 121 mi em 2008).

Para Rosely Boschini, presidente da CBL, o crescimento do setor reflete o bom momento da economia e o esforço das editoras. Ela comentou que o setor infantil cresce todos os anos, mas disse estar feliz em ver que o CTP se destacou em 2009. “Isso mostra que jovens e crianças estão lendo mais”. O único problema, disse, é que o governo não compra livros desse segmento, o que pode favorecer a pirataria entre os universitários. Mas o crescimento, acredita, se deve ao boom dos cursos universitários no país.

Ainda segundo a presidente da CBL, políticas públicas constantes na área de leitura são fundamentais para manter o crescimento do número de leitores. Eventos voltados para tal e o acesso maior aos livros são os caminhos para uma sociedade mais letrada, disse.

Sônia Jardim também comentou sobre o mercado infantil. “Estamos com 15% do mercado infanto-juvenil e isso mostra futuros leitores, mas desde que o hábito tenha continuidade”. O futuro do livro, comentou, depende de você ter desenvolvido o hábito da leitura.

Leda Maria Paulani, coordenadora da pesquisa, prevê a volta do crescimento do mercado. “Tenho o impressão de que agora, passada a crise, o mercado vai recuperar o passo e deve voltar à taxa de 6% de crescimento”.

Ainda neste semestre deve ser feito o censo do livro para registrar o tamanho do mercado e estimar o novo universo da pesquisa.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

4º Edital Votorantim de Seleção Pública de Projetos de Democratização Cultural

Em parceria com o blog Acesso, o Instituto Votorantim realiza o seu processo de seleção de projetos culturais para patrocínio em 2011.

A 4ª edição do edital de seleção pública terá início no dia 3 de agosto de 2010 e investirá R$ 3 milhões em projetos de todas as áreas culturais – artes visuais, artes cênicas, cinema e vídeo, literatura, música e patrimônio – desde que estejam comprometidos em ampliar e qualificar o acesso de jovens, entre 15 e 29 anos, a bens culturais.

Poderão se inscrever artistas, grupos, produtores e instituições de todas as regiões do país que tenham projetos de até R$ 500 mil com atividades previstas para serem realizadas de janeiro a dezembro de 2011.

A novidade dessa seleção é a categoria especial “Acessibilidade”, que reservará até R$ 1 milhão para projetos com estratégias de inclusão e formação cultural para jovens com deficiência ou mobilidade reduzida. Leia no regulamento do Edital como participar dessa categoria.

Os projetos inscritos serão analisados por uma comissão técnica formada por especialistas da área cultural, que avaliarão o impacto e o benefício do projeto ao público jovem. No processo seletivo serão considerados aspectos como diversidade de porte de projetos e regiões beneficiadas, qualificação dos conteúdos, planejamento, potencial de visibilidade e outros critérios detalhados no regulamento. A decisão final fica a cargo do Conselho do Instituto Votorantim, que examinarão os projetos pré-selecionados pelos especialistas.

A inscrição de projetos é gratuita e poderá ser realizada de 3 de agosto a 1 7 de setembro de 2010,até às 18h00.

Os projetos aprovados precisarão apresentar o número de registro no Pronac (Programa Nacional de Apoio à Cultura) e os dados bancários da conta depósito (aberta pelo Ministério da Cultura) até o dia 16 de dezembro.

O resultado do processo de seleção será anunciado até o dia 11 de novembro deste ano, pelo blog Acesso e pelo site do Instituto Votorantim.http://www.institutovotorantim.org.br/pt-br/Paginas/home.aspx

sábado, 7 de agosto de 2010

Edital Cultural dos Correios com inscrições abertas

Está aberto desde segunda-feira (26/07) o prazo de inscrições para o edital 2010 de patrocínio da área cultural do Correios. Ele contempla projetos nas áreas de Artes Cênicas (Dança e Teatro), Artes Integradas, Humanidades (obra literária, evento literário e programa de incentivo à leitura), Audiovisual e Música para serem realizados entre março de 2011 e agosto de 2012.

O orçamento para este edital é de R$ 5,480 milhões e os projetos deverão ser montados em um dos Centros Culturais da instituição (Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Ceará e Minas Gerais). Especificamente para a área de Dança, o valor total destinado é R$ 720 mil, que serão divididos entre espetáculos já produzidos (até R$ 80 mil) e produção/montagem, apresentação e mostras e festivais (até R$ 120 mil).

O processo de inscrição é dividido em etapas: preenchimento do formulário no site do Correios e posterior envio (por Sedex) de uma via impressa desse formulário acompanhado de projeto e de orçamento (tudo assinado) para o seguinte endereço:
Departamento de Comunicação Estratégica
Comissão de Patrocínio
SBN – Quadra 1 – Bloco A – 20º andar
70002-900 – Brasília/DF

As inscrições podem ser feitas até 31 de agosto. A seleção será feita por uma comissão especial e o resultado sairá até 13 de dezembro.
Informações no site www.correios.com.br

O detetive selvagem











Roberto Bolaño, o cara que definiu a literatura latino-americana da última década

A revista peruana Etiqueta Negra tem uma versão digital excelente, com vários artigos, fotos e vídeos de primeira. Não por acaso, seu criador, Julio Villanueva Chang, estará na Flip, onde, a partir de quinta irá comandar uma disputada oficina literária sobre perfis. Além de autor de um livro bastante comentado de perfis, o Elogios Criminales, Chang costuma chamar escritores excelentes para produzir perfis na Etiqueta Negra. Um deles – o mexicano Jorge Volpi – está agora na home da revista, com um texto magnífico sobre Roberto Bolaño – nome, que, de resto, estaria certamente entre os grandes convidados da Flip se não tivesse morrido prematuramente, aos 50, em 14 de julho de 2003. Além disso, a Etiqueta colocou no ar também um documentário sobre Bolaño, autor dos clássicos contemporâneos Os Detetives Selvagens e 2666, que pode ser visto em seis partes e que inclui depoimentos do filho e da mulher e de grande amigo (e também escritor cultuado) Enrique Vila-Matas. Vale a pena dar uma olhada!

Da série: Não sou príncipe hamletiano mas tenho também os meus dilemas e minhas dúvidas....

Acabo de receber o texto abaixo do queridíssimo amigo Ismael Bernardo. Creio que temos muito mais questões do que supõe a nossa vã filosofia. Um pequeno deleite.

O que sou, um ator?

O que vou representar? O que fazer? Será que vou dançar, cantar ou poesia num recital declamar? Como sair do camarim, assim, e até ao ávido público chegar? Terei elegância, vou sem tropeçar, com segurança, terei porte no andar? Que máscara usar? Que roupa, o cenário, meu Deus qual será? Deixo a cara limpa ou me escondo atrás das tintas? Cadê as luzes, as cortinas, as purpurinas, o vinho fino e as frutas doces no agdá? Que personagem encarnar? Serei um príncipe banto, um santo profano ou um ermitão em prantos? O público vai aplaudir ou todos irão gargalhar? Que horas entrar, sair de cena, que tema abordar? A dor, o prazer, que momento celebrar? O que aprender, o que ensinar, o que ouvir o que falar? Que lágrimas derramar, porque sorrir, porque chorar? Será que terei coragem? E se eu pestanejar, esquecer o texto, inventar um pretexto, perder o contexto e o roteiro ultrapassar? Serei valente, covarde, arrogante, humilde, me calo ou fico louco a gritar? Saiam todos, venham todos, em nome do Senhor, venham ver, aqui estou, Eu, um ator, no escuro dessa alucinação, encenando morte, vida e ressurreição.

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De Bernardo Alves de Souza, poeta português que viveu no século 18, para a poetisa Márcia Tude, que vive no século 21.

Inscrições para o BNB de cultura vão até 13/08

Encerra-se em 13 de agosto o prazo para inscrições de projetos no Programa BNB de Cultura – Edição 2011 – Parceria BNDES. O Programa é uma linha de patrocínio direto do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), com a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com dotação orçamentária de R$ 6 milhões, para apoio à produção e difusão da cultura do Nordeste e Norte de Minas Gerais e do Espírito Santo (área de atuação do BNB), mediante seleção pública de projetos. O edital, os regulamentos, os formulários e as instruções para preenchimento e o modelo de relatório para prestação de contas estão no portal do BNB. Juntos, o BNB e o BNDES destinarão, no próximo ano, o montante de R$ 6 milhões para projetos a serem selecionados nas seguintes áreas: música (R$ 1,25 milhão), literatura (R$ 800 mil), artes cênicas (R$ 1,1 milhão), artes visuais (R$ 800 mil), audiovisual (R$ 800 mil) e artes integradas ou não-específicas (R$ 1,25 milhão). Serão contemplados pelo menos 225 projetos – sendo, no mínimo, 49 de música, 30 de literatura, 46 de artes cênicas, 33 de artes visuais, 18 de audiovisual e 49 de artes integradas ou não-específicas. Desde 2005, o programa já patrocinou 1.131 projetos, beneficiando diretamente 474 municípios, no valor total de R$ 19,5 milhões. A divulgação dos resultados será feita em 30 de novembro.

Por uma Academia como a nossa

Há pouco tempo fui convidada pelo historiador Gildásio Freitas para integrar a Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas, que será fundada oficialmente no dia 20 de agosto, na Unime. Aceitei sem pestanejar. No entanto, como nunca havia participado de atividades pertinentes a uma Academia, corri em busca de informações que subsidiassem e justificassem a minha colaboração.

O termo "academia" remonta à Academia de Platão - escola fundada pelo filósofo grego nos jardins que um dia teriam pertencido ao herói Akademus (de onde vem o nome). Ali, há 380 anos antes de Cristo, buscava-se basicamente o saber, através da dialética, do questionamento e do debate. E foi com a ânsia de debater e de ampliar o conhecimento que diversas instituições literárias surgiram na França, entre as décadas de 1620 a 1630 - consolidando-se na matriarca de todas as agremiações literárias - a Adèmie. No Brasil, a primeira Academia de Letras foi concretizada em 1897, tendo Machado de Assis como presidente. Daí por diante surgiram diversas Academias. E são tantas que até o município de Nordestina, com seus 13 mil habitantes, já criou a sua instituição de letras e artes.

Com a proximidade da solenidade de fundação da nossa Academia, fico me perguntando qual será a real função dessa instituição nos dias atuais. Ontem, na reunião semanal, minha cabeça estava impregnada por uma opinião que li no Blog Nacional das Academias de Letras: "a preocupação maior das instituições literárias tem sido o ato de preservar a nossa língua e de escrever. E escrever bem". Ora, como nos dedicarmos à perfeita escrita quando o nosso município sequer possui um museu, um teatro bacana ou um espaço para abrigar iniciativas culturais diversas, colaborando com o fortalecimento da identidade cultural dessa multifacetada população?

A resposta veio ontem mesmo, quando percebi, nas palavras e comentários dos confrades e confreiras, o grande compromisso com o estímulo e a valorização da nossa cultura, patrimônio imaterial. Os olhos de Marivaldo Paixão, Presidente, brilharam ao afirmar que a Academia vai agitar culturalmente a nossa região, enquanto alguém fazia circular um pequeno álbum com fotos de uma senhora conterrânea, já falecida, cujo grande valor estava no conhecimento do poder das ervas medicinais. Perguntei se havia deixado discípulos. Não deixou. "Precisamos reverter este quadro", ouvi alguém sussurrar.

Por sorte que inverto a perspectiva da opinião que li no tal Blog e a reinvento, como boa estudiosa da arte poética, afirmando que a preocupação das instituições literárias e artísticas deveria ser o ato de preservar a cultura imaterial. E preservar bem. Com a voz do coração.