sábado, 7 de agosto de 2010

Por uma Academia como a nossa

Há pouco tempo fui convidada pelo historiador Gildásio Freitas para integrar a Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas, que será fundada oficialmente no dia 20 de agosto, na Unime. Aceitei sem pestanejar. No entanto, como nunca havia participado de atividades pertinentes a uma Academia, corri em busca de informações que subsidiassem e justificassem a minha colaboração.

O termo "academia" remonta à Academia de Platão - escola fundada pelo filósofo grego nos jardins que um dia teriam pertencido ao herói Akademus (de onde vem o nome). Ali, há 380 anos antes de Cristo, buscava-se basicamente o saber, através da dialética, do questionamento e do debate. E foi com a ânsia de debater e de ampliar o conhecimento que diversas instituições literárias surgiram na França, entre as décadas de 1620 a 1630 - consolidando-se na matriarca de todas as agremiações literárias - a Adèmie. No Brasil, a primeira Academia de Letras foi concretizada em 1897, tendo Machado de Assis como presidente. Daí por diante surgiram diversas Academias. E são tantas que até o município de Nordestina, com seus 13 mil habitantes, já criou a sua instituição de letras e artes.

Com a proximidade da solenidade de fundação da nossa Academia, fico me perguntando qual será a real função dessa instituição nos dias atuais. Ontem, na reunião semanal, minha cabeça estava impregnada por uma opinião que li no Blog Nacional das Academias de Letras: "a preocupação maior das instituições literárias tem sido o ato de preservar a nossa língua e de escrever. E escrever bem". Ora, como nos dedicarmos à perfeita escrita quando o nosso município sequer possui um museu, um teatro bacana ou um espaço para abrigar iniciativas culturais diversas, colaborando com o fortalecimento da identidade cultural dessa multifacetada população?

A resposta veio ontem mesmo, quando percebi, nas palavras e comentários dos confrades e confreiras, o grande compromisso com o estímulo e a valorização da nossa cultura, patrimônio imaterial. Os olhos de Marivaldo Paixão, Presidente, brilharam ao afirmar que a Academia vai agitar culturalmente a nossa região, enquanto alguém fazia circular um pequeno álbum com fotos de uma senhora conterrânea, já falecida, cujo grande valor estava no conhecimento do poder das ervas medicinais. Perguntei se havia deixado discípulos. Não deixou. "Precisamos reverter este quadro", ouvi alguém sussurrar.

Por sorte que inverto a perspectiva da opinião que li no tal Blog e a reinvento, como boa estudiosa da arte poética, afirmando que a preocupação das instituições literárias e artísticas deveria ser o ato de preservar a cultura imaterial. E preservar bem. Com a voz do coração.

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